Neste glossário relacionamos termos, expressões e adágios usados pelo gaúcho, e que já apareceram nas tiras. Os dicionários utilizados são:
DR: Dicionário de Regionalismos do RS – Zeno Cardoso Nunes e Rui Cardoso Nunes – Martins Livreiro, 2003.
GA: Gauderiadas – Luís Augusto Fischer e Iuri Abreu – Artes e Ofícios, 2004.
AU: Novo Dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira – Editora Nova Fronteira.
CG: Glossário do livro Contos Gauchescos e Lendas do Sul – João Simões Lopes Neto – Editora Globo, 1978.
DG: Dicionário Gaúcho – Alberto Juvenal de Oliveira – Editora AGE Ltda, 2003.
DB: Dicionário Gaúcho Brasileiro – Batista Bossle – Artes e Ofícios, 2003.
MF: Glossário do livro Martin Fierro – José Hernández – Martins Livreiro, 2004.
NA: Nota do Autor: expressões ou termos não encontrados em dicionários.
Expressão de desabafo utilizada pelo gaúcho. A gran puta é uma referência genérica, não se refere a nenhuma pessoa em particular (NA).
Expressão de admiração, espanto (DR).
Desanimado, vexado, envergonhado, acovardado, aniquilado (CG).
Indevidamente instalado em determinado lugar (DR).
Trégua, folga, descanso; Ato e alçar ou levantar o cavalo por meio das rédeas (CG).
Amansar um cavalo sem o montar. Domesticar um animal, tirar-lhe as manhas, por meios brandos, sem o molestar (DR).
Ao acaso (DG).
Juntado, agrupado (CG).
Aborrecer, incomodar, importunar (DR).
Laçada corrediça que se faz com o laço quando se pretende atirá-lo para prender a rês (DR).
Discussão acalorada, disputa, bate-boca, barulho, briga, rezinga, conflito, rolo (DR).
Conjunto de peças necessárias ao encilhamento do cavalo; o mesmo que arreamento (DG).
Diz-se da pessoa que tem palavreado vulgar, chulo (DG).
Cavalo selvagem, ainda não domado; abrutalhado, rude, grosseiro (DR).
Local onde se realizam bailes populares (DB).
Dança antiga, introduzida no Rio Grande do Sul pelos açorianos. É uma espécie de fandango (DR).
É a bola pequena que se usa no jogo de bocha. Quem deixar mais bolas próximas ao balim vai pontuando e ganha o jogador ou equipe que somar o maior número de pontos (NA).
Expressão que indica espanto, surpresa. Muito usada para dar ênfase a alguma exclamação: lindo barbaridade!, grande barbaridade! (DG).
Diz-se do bovino de pelo branco-amarelado ou branco-acinzentado, da cor do barro. Temos: o barroso-amarelo, o barroso-claro, o barroso-fumaça e o barroso-vermelho. Aplica-se ainda, mais raramente, aos equinos cujo pelo seja de cor semelhante à do barro-escuro (DG).
Inseto sifonáptero, da família dos hectopsilídeos, cuja fêmea, fecundada, penetra na pele do porco ou do homem, onde se transforma em saquinho de ovos. A cabeça e o tórax são visíveis quando examinados de perfil (AU).
Arrasta-pé, fandango; rolo, desordem, confusão, conflito. Variação de bochinche (DG).
Agitação, atrapalhação, azáfama; Trapalhada, trampolinada (CG).
Instrumento de origem indígena, empregado pelos campeiros para apreender animais, ou como arma de guerra. Os tiros alçavam uns 25m de distância. É constituída por três bolas (de ferro, pedra ou outro material) envolvidas num couro espesso (retovo) e ligadas entre si por cordas de couro trançadas ou torcidas, chamadas sogas. Duas das bolas são do mesmo tamanho, e a terceira, menor, chamada de manicla, manícula, manica ou minga é a que o boleador empunha para manejar o conjunto. Hoje em dia não são mais utilizadas, pois costumavam provocar fraturas e a inutilização do animal; bolas, pedras, três-marias (DB).
Casa de negócios de pequeno sortimento e de pouca importância (DR).
Pêlo da cor da brasa, com listras pretas ou muito escuras (DR).
1. Espécie de macacos da família dos cebídeos; guariba. 2. Mulher feia. 3. Espécie de música e dança tipicamente gaúcha (DB).
Diz-se das guampas da vaca, quando velhas, que fazem uma volta e ficam viradas para dentro (NA).
Poncho ordinário, de lã tingida, usado pelos gaúchos do norte da Argentina, em especial (NA).
Administrador de uma estância ou de uma charqueada (DB).
Designação utilizada para china, chinoca, mulher fácil (NA).
Planta filamentosa da família das bromeliáceas, comum em todo o estado (DB).
Denominação que os republicanos de 1835 (Farrapos) davam aos legalistas (CG).
Ritmo musical argentino (DB).
Chá feito de diversas ervas medicinais (DG).
Indivíduo dos Charruas, uma das três grandes tribos indígenas que habitavam parte do território do Rio Grande do Sul. Eram bravos guerreiros e nunca se submeteram à civilização e muito menos aos conquistadores (DG).
Mensageiro, estafeta, pessoa que se despacha levando uma mensagem; Carta, aviso, recado, desafio (DR).
Esporas de enormes rosetas, suas pontas alcançam, às vezes, mais de dez centímetros. Devem o nome à semelhança com as esporas do guazo, o equivalente chileno do gaúcho (DB).
Índio, caboclo, moreno carregado, com traços indígenas (DR).
Exprime desprezo, espanto, escárnio (DR).
Diarréia que ataca os animais, caganeira. Também se aplica aos humanos. Variação de churrilho (DG).
Árvore regular, ornamental, da família das meliáceas, geralmente plantada na frente das casas e moradias, com o objetivo principal de fornecer sombra. Muito comum no Rio Grande do Sul. É dotada de flores pequenas e aromáticas, com corola azulada ou rósea, e cujos frutos têm amêndoas amargas e fedorentas (DG).
Faixa de couro ou de qualquer tecido forte que passa por baixo da barriga da cavalgadura para segurar a sela (DG).
Animal não tosado, de clinas longas; crinudo; Diz-se do indivíduo cabeludo (DB).
A cauda dos animais (DR).
Diz-se de cavalo de grandes dentes caninos (colmilhos) e, portanto, velho e imprestável (DG).
Fazer uma coisa antes de outra mais importante, querer fazer rápido e, pela pressa, acabar fazendo errado (NA).
Antiga denominação popular do estado do Rio Grande do Sul (DR).
Pessoa sempre disposta para tudo; bom, excelente, esplêndido (DR).
Sigla de Centro de Tradições Gaúchas (DB).
Imediatamente, repentinamente (DR).
Passear, vaguear, vagar (AU).
Extenuado, exaurido (CG).
Troçar, enganar, iludir, lograr, zombar (AU).
O dia 29 de setembro é o dia de São Miguel Arcanjo no calendário religioso. Como o mês de setembro registra historicamente os mais altos índices de chuva no estado, em especial na 2ªquinzena, difundiu-se no imaginário popular a expressão “enchente de São Miguel”, referindo-se aos desastres provocados pelas cheias nessa época do ano (NA).
Colocar os arreios na cavalgadura. Pôr uma porção de erva-mate sobre outra, na cuia, a fim de tornar o mate mais forte (DG).
Entre os espíritas, espírito que está ao lado de um ser vivo para protegê-lo ou prejudicá-lo (AU).
Ausentar-se do convívio social ou humano, isolar-se, insular-se, retrair-se (AU).
1. Mistura, confusão, desordem, entre pessoas, animais ou objetos. 2. O grande movimento ou mistura de pessoas dançando animadamente num fandango. 3. Peleja na qual os beligerantes, desobedecendo às ações de comando, se empenham em luta corpo a corpo. 4. Briga, peleia, pega. O mesmo que entrevero (DB).
1. Muito doente; com doença generalizada. 2. Muito cansado, judiado, arrebentado, quebrado. 3. Encrencado, estragado. 4. Surrado, esfarrapeado (DB).
É quem esquila, ou seja, tosquia, tosa ou corta a crina do eqüino ou a lã do ovino (DG).
Morrer, esticar (CG).
Garboso, elegante, distinto (CG).
Palavra citada pelo cantor Mano Lima na música “Como é que tô nesse corpo”, no verso “Já falei com meu patrão / vou morar lá na fiúta / Tu vais gostar do lugar / tem árvore e bastante frutas" (NA).
Peça de metal, presa às rédeas, que se introduz na boca dos animais de montaria e serve para os guiar (DB).
1. Diz-se do animal que tem o pelo da cor da fumaça (a fumaça azulada). 2. Quando alguém some ou foge, diz-se: se fez fumaça... (NA).
Pessoa sem ocupação, andarilho, que não se aquerencia em parte alguma; pessoa que viaja muito (DR).
Cinto largo de couro usado pelo gaúcho (DR).
O mesmo que cusco. Cão pequeno de raça ordinária (DG).
Arbusto de pequeno porte que produz madeira de ótima qualidade e extraordinária dureza (DG).
Indivíduo criador de casos, intrometido; valente, destemido (DR).
Expressão regional utilizada nas Missões para designar um grupo de pessoas muito chatas. Deriva de guarapa, caldo de cana que por ser muito doce e forte repugna com facilidade (NA).
Tira ou correia de couro cru; corda, laço (AU).
Surrar, açoitar, espancar, chicotear, fustigar, com guasca ou qualquer outro açoite (DR).
Pessoa que trabalha em guascas (DR).
Suportar, agüentar (CG).
Cão ordinário, vira-lata, cachorro sem serventia (DB).
Espécie de abelha ou marimbondo que fabrica mel muito agradável (DR).
Trabalhos campeiros. Variação de lide (DG).
1. Espécie de vespa, muito venenosa, cuja picada produz dor intensíssima, calafrios e febre. 2. Frio intenso por falta de cobertas (DR).
Cavalo velho, sem valor, imprestável ou quase imprestável, matungo (CG).
Grande curral de pedra ou madeira construído junto à estância para lidas com o gado (DR).
1. Árvore da família das aquifoliáceas, de cujas folhas se faz o chimarrão (ilex paraguariensis); erva-mate. 2. A bebida resultante da infusão de erva-mate, preparada em uma cuia de porongo e sorvida por meio da bomba (DB).
Cavalo velho, ruim, sem préstimo; mancarrão, sotreta, pilungo, urucungo (DB).
Nome (de origem tupi) de um pequenino inseto parasita, quase invisível, que vive nos arbustos e nos gramados e ataca homens e animais, produzindo comichão incômoda (DB).
Vento frio e seco que sopra do sudoeste no inverno (DR).
1. As antigas missões da catequese guarani, estabelecidas pelos jesuítas. 2. Região do estado do Rio Grande do Sul, do Mato Castelhano à barra dos rios Ibicuí e Uruguai, onde estavam localizados os Sete Povos das Missões (São Nicolau, São Luiz Gonzaga, São Lourenço Mártir, Santo Ângelo Custódio, São João Batista, São Francisco de Borja e São Miguel Arcanjo, a capital); região missioneira (DB).
Caipira (AU).
Mosca com cerca da metade do tamanho da mosca doméstica, que suga o sangue dos animais, causando-lhes dor e desconforto, com conseqüente perda de produtividade. Ataca principalmente os bovinos, na região do cupim, dorso e pescoço (NA).
Modo engenhoso de atar o lenço que os republicanos rio-grandenses de 1835-45 usavam como distintivo. Por ser difícil de desfazer significava a firmeza de suas convicções (DB).
Expressão de admiração, espanto, alegria (DR).
Diz-se de, ou cachorro que desde novo é criado junto ao rebanho, que dele, quando cresce, guarda e protege (DB).
É a oração, antes de ter mudado para “Pai-Nosso”. No tempo em que “todo mundo” era católico, e em que todo católico sabia a oração, dizia-se sobre conhecimento: “saber como quem sabe o Padre-Nosso” (GA).
Lugar onde se nasceu, o lar, o rincão, a querência, o povoado, o município onde se nasceu ou onde se reside (DR).
Poeta e cantor popular que canta improvisando versos (DR).
Cigarro de fumo crioulo, enrolado em palha de milho (DR).
1. Denominação dada às extensas planícies situadas em boa parte da Argentina, do Uruguai e do Rio Grande do sul, cobertas de excelentes pastagens naturais, que são intensamente aproveitadas para atividades pecuárias, destacando-se a criação de bovinos, cavalares e ovinos (...). 2. Diz-se do gado de pêlo vermelho escuro com a cabeça branca, ou com a cara e a papada brancas. O gado da raça Hereford também é chamado de pampa. 3. Pêlo de cavalo que apresenta uma orelha de uma cor e a outra de cor diferente; que apresenta a cabeça, ou pelo menos a maior parte dela, branca, e o corpo de pelagem escura; que apresenta uma cor de um lado e outra do outro lado; que apresenta uma parte notável do corpo de uma cor e o restante de cor diferente (...). 4. Nome dados aos antigos índios que habitavam o pampa (DB).
1. Quadrilha de malfeitores que se juntam para praticar crimes, roubos e assaltos. 2. Quadrilha de animais (DG).
O mesmo que privada ou latrina. O nome vem do sanitário de louça que antigamente era importado da Inglaterra e trazia gravado o nome patent, que indicava privilégio de fabricação. (DG).
Homem ajustado para o trabalho rural (DR).
Genuinamente rio-grandense; gaúcho autêntico, puro; crioulo (DB).
Concubina que é mantida por um coronel em casa alugada só para ela (DG).
Figurativamente significa perder a calma, perder a paciência (DR).
Cavalo bem pequeno, baixo, de pernas curtas (DB).
1. Designação de palmeiras produtoras de fibras empregadas no fabrico de vassouras. 2. Vassoura fabricada dessa fibra (Var.: piaçaba e piaçá) (AU).
Denominação que se dava à antiga moeda de um mil réis (DR).
China, chinoca, caboclinha, moça, rapariga; mulher de vida fácil (DR).
Pedaço de corda, barbante ou cordão (NA).
Nome de um rio que cruza a região das Missões; em tupi-guarani significa “peixe amarelo” (NA).
Poeira, pó. Levantar polvadeira: causar agitação, intranqüilidade (CG).
Pôr. As galinhas estão ponhando ovos (NA).
1. Discussão ou contenda de palavras; polêmica. 2. Insistência, pertinácia, teima, obstinação. 3. Competição, rivalidade, disputa (AU).
Campo de pequena área, cercado, maior que o piquete e menor que a invernada, próximo à estância, com pastagem e aguada, no qual se guardam os animais utilizados diariamente, ou que estejam necessitando de cuidados especiais (DR).
Essa palavra realmente não existe, foi inventada pelo autor para a tira número 317 (NA).
Cavalo recém domado, que ainda não está bem manso (CG).
Coisa sem graça, desinteressante, banal (DG).
De relance, ligeiramente, passageiramente (CG).
Tocar o gado por diante de um lugar para o outro (DR).
Local onde são realizadas brigas de galos; rinhadeiro, renhideiro (DB).
Animal que tem costume de cruzar as cercas para pastar em outros potreiros, lavouras ou roças (NA).
Ponta de animais mansos acostumados às lidas campeiras, que se utiliza junto aos xucros para acalmá-los e melhor conduzi-los aonde se deseja (DB).
Rês com mais de um ano de idade e menos de dois (DR).
Parasitos do intestino dos vertebrados, com ciclo evolutivo através de um ou mais hospedeiros intermediários nos tecidos dos quais ocorrem as formas larvárias (AU).
Fazer com que o cavalo se detenha ou obedeça ao freio e se acalme (DR).
Baile popular, arrasta-pé (DG).
Viseira que colocam no cavalo para que ele enxergue somente para frente (NA).
Casa de campo, rancho, qualquer habitação abandonada, quase sempre em ruínas, com algumas paredes de pé e algum arvoredo velho (DR).
Indivíduo valente, arrojado, destemido, valoroso, forte, guapo, resistente (DR).
Subs. Vocativo usado somente no Rio Grande do sul (...), em qualquer local, por qualquer pessoa e em qualquer momento, e muitas vezes inutilmente, por força do hábito: “Aí, tchê, eu disse...”. “Mas bah tchê, tava bom barbaridade!” (DG).
1. Baile ou reunião familiar. 2. Reunião artística ou literária, em casa de amigos (DB).
Tropeçar (CG).
Termo utilizado para designar mulher de baixo nível, mulher sem serventia (NA).
Puxão brusco, golpe repentino, empuxão (DR).
Ato de arremessar o laço contra o animal que se pretende segurar (DR).
Ato ou efeito de toldar; cobertura de palha ou madeira para abrigo nas embarcações (AU).
Cavalo cuja pelagem tem fundo branco encardido salpicado de pequenas manchas mais ou menos negras (DR).
Ato ou efeito de tosquiar; época própria para o corte do pêlo ou da lã dos animais (AU).
Andadura natural, não apressada, do cavalo; trote (CG).
Pessoa que conhece os caminhos e atalhos; tem prática, habilidade, destreza (DR).
Diz-se do animal que não perde o costume de velhaquear, dar pinotes, corcovear (DR).
Diz-se da pessoa impetuosa, arrebatada, veemente, fogosa (NA).
Cavalo castanho-escuro, sem manchas (DG).